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7 de mai. de 2013

Naditação!

Naditação!
Touca, óculos, 
borrachinas nos ouvidos:
O mundo ficou quieto!
A partir de agora 
a vida é azul, 
um lento azulejar.
Lenca.

15 de dez. de 2012

Testamento

O mundo vai acabar dia 21 de dezembro, deram por certo e garantido.

Então tá.

Só não pude escapar do roteiro já desgastado: se acaba dia 21, o que não posso deixar de fazer antes?

Escalar o Himalaia, casar no Havaí, passar a lua de mel em Majorca, dançar nua ao redor da fogueira no solstício de verão entre as brumas de Avalon, cantar uma ária na Capela Sistina, dançar uma valsa no palácio da Sissi, o quick steeps com o Yul Brinner no “The King of Siam”, ou um tango com o Antônio Banderas... MERDA... Não dá tempo!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Então tá... ... ...

Só dá mesmo para uma coisa que eu quero fazer, ou melhor: se o mundo acabar dia 21 quero já ter feito o mais importante.

                             Quero dizer alto e em bom som que AGRADEÇO

À Deus pela vida;
À Terra pelas cores, sons e movimentos do ar, do vento, do mar, dos pássaros;
Aos meus Pais pelo amor incondicional e pela proteção;
Aos meus irmãos pela fidelidade e amor eterno;
Aos meus sobrinhos e genro por senti-los meus filhos e aliados;
À minhas filhas por expressarem a cada olhar o quanto me compreendem e quão recíproco é o nosso amor;
À minhas netas por me permitirem sentir a mais linda forma de amor, esperança e redenção;
Às minhas amigas/irmãs por me darem ouvidos, ombro, carinho, cumplicidade, elogios, diversão e muito, muito, muito afeto.

Então, mundo, tá! Pode acabar dia 21. Já fiz o que eu queria!!!

Vou esperar sentada no sofá da sala, comendo pipoca, tomando Coca-Cola e vendo tv.

 
Sonia Soares

27 de nov. de 2012

Compra e venda

Quem precisa de risos?

Vende-se guizos brilhantes
Cambalhotas de olhos nas órbitas
Chacoalhar de barrigas soluçantes
Pipocas espocadas no espírito


Quem precisa de rumos?

Vende-se caminhos de não chegar
Sinais de fumaça em pacotes escuros
Pegadas deslizantes no lamaçal
Pedregulhos em voos na imaginação


Quem precisa de mim?

Vende-se responsabilidades arquivadas
Cuidados abusivos e abusados
Comidas lambuzadas de mel e fel
Apoios apoiados na gradil da rotina


Preciso ar fresco

Quem tem para vender?
Sonia Soares

Preciso


Preciso barro
Precisas mãos no torno
Preciso água
Precisas gotas de lágrimas
Preciso sono
Precisas notas suaves
Preciso corpo
Precisas carícias insanas
Preciso céu
Precisas estrelas piscando
Preciso tudo ou quase tudo
Precisas nada...... só infinitude
   
Márcia Mansur

Preciso

Preciso minuto,
Relógio manteiga.
Fervem na veia
Borbulhas de sangue.
Preso na cela de pensamentos,
O homem só.
Precisa a notícia:
Rompe as redes
o som da voz
de mulher.
Preciso segundo:
Sorri o homem
que espera.
Olívia Feder

Preciso

Preciso
do caminho
da luz
do encontro
 
Não preciso
das curvas
das sombras
do reencontro

Preciso
do inusitado
da surpresa
do magnífico

Não preciso
do susto
da rotina
da impolidez

Preciso
do sensato
da vigência
da justiça
 
Preciso
da vida
 Lena Araújo

Preciso



Amarras
Conter em si
seu sentido único

Liberta é a alma
sem desejos
palavra seleta
sozinha a conter seu universo

Solta
navega sem vontade
 Lenca Marques

Preciso

Exterminar o cisto implacável
Examinar o vermelho devastador do céu
Equacionar o sim e o não
Corromper o canto do pássaro atado à gaiola
Rever o olhar caído de meu cão
Ser alvo do olhar de Deus
Morrer
              Ressuscitar
                                    Recomeçar
                                                               Duda Cambará

23 de nov. de 2012

HÃÃh!!!



HÃÃh!!!Babei... HÃÃh!!! Não é fácil ser HÃÃh!!!
Como assim? 
É difícil entender! É complicado...HÃÃh!!!
Como ser HÃÃh!!! Sem ser ridícula?
HÃÃh!!!
Ai que babaca! Ai que sem graça!... HÃÃh!!!
Diga alguma coisa séria, construtiva, inteligente,
Impressione com sua sagacidade, sutileza e, quem sabe, sabedoria.
?HÃÃh!!!?
Tente, só mais uma vez.
Deixe verter as palavras do fundo de sua alma,
Deixe a poesia sair como borbulhas de suas veias.
Cresça!
??HÃÃh??
 
Márcia Mansur

15 de nov. de 2012

Vazio Desossado

Nada era como queria que fosse,
ninguém se parecia com os personagens dos sonhos.

Fez-se à sua volta um muro robusto, indevassável e intransponível.
Tornou-se, cada vez,
mais só,
num mundo caótico, fragmentado e acumulativo.

Do lado de fora só o muro,
rabiscos de spray, flores de plástico,
janelas falsas ostentando máscaras de emoções fixas.
Lindas máscaras do carnaval de Veneza:
de faces lácteas, lábios rubros, olhos vazados e vazios
- sem alma.

Do lado de dentro vendavais de sonhos e pesadelos,
montanhas de lembranças compulsivas,
mares de desentendimentos,
árvores de sucatas em abundâncias sazonais.  

Nada, absolutamente nada descartado. 

E o tempo atleta em ciranda louca,
carro derrapando na areia,

sem controle, sem parar. 

Alimentos em fraque e cartola para driblar o tédio e enganar a solidão,
criação de ratos e baratas para corromper idéias e objetos,
transformação de tudo em confetes descoloridos,
pingos de ecos reverberados à exaustão. 

Seu mundo sem zíper,
invadido por carretilhas de risos não ridos roubados aos ouvidos,
enrolados e enrascados às escuras e ao acaso,
formação de nós impossíveis de serem desatados. 

O muro barragem em luta bravia impedindo o derrame da lava de entulhos,
massa de coelhos em cópula e procriação.
Um ou outro pequeno veio vazando,
avidamente colhido por sentinelas sequiosos. 

Mas o tempo atleta gira que gira e desembesta,
a vida hiena gargalha que gargalha e ludibria,
a sina escrita se reescreve.

Sem e-mails ou notificações judiciais,
sem aviso prévio ou indenização,
o dito fica não dito
e o fim se imiscui no começo.

Distraída e sem tino
a arrumação do guarda-roupas começa,
peça por peça, cor a cor,
lembrança a lembrança.

Metrópoles são desconfiguradas,
florestas desmembradas,
oceanos engarrafados. 

O dique não se rompe,
não acontecem dilúvio nem tsunami.
O repleto se faz vazio,
o vazio é desossado,
a calmaria faz-se berço da esperança. 


  Sonia Soares


11 de nov. de 2012

Tempo Presente é a minha matéria

Presente sente... quase doente,
sacode... explode... trupico no presente...
Não sente: levante, avante.
Tempo presente, sem lente nem frente.
Desejos, anseios, presente sem tempo.
Tempo presente, sem controle:
lua passando, empurrando o sol .
Tempo presente, ausente de ar,
Mar sem calma, desordem   esta é a ordem presente.
Nem tente, não mente, tire as correntes e...
vai se foder.

 

Márcia Mansur

10 de nov. de 2012

EFÊMERO SUOR

 Leve sopro  ...                                                                                                                     
A bolinha de sabão entra em volteios pelo espaço,
Brilhante, translúcida, rendilhada.
 Acima e Abaixo,                                                                                         
Verso e Reverso,
Balé mágico de irrefutável destino:
Dedo em riste, da gorducha criança perdida entre risos de cristal. 
Breve fricção...
A chama do fósforo se expande aos ventos,
Trêmula, arisca, colorida.
Acima e Abaixo,       
Verso e Reverso,
Balé mágico de indiscutível destino:
Dedos, em enérgico agitar, da cozinheira atribulada. 
Sôfrego inspirar...
A vida se instala na habilidosa engrenagem sincronizada,
Frágil, complexa, misteriosa.
Acima e Abaixo,  
Verso e Reverso,
Balé mágico de irrecusável destino:
Dedos curvos, em elegante convite, do anjo da morte. 
Vistos de perto ou de longe,
Tudo são efêmeros respingos de suor de ninguém.

Perdidos em universos paralelos por séculos de durações infinitas...
Deus e o Diabo,
Criador e Criatura.
Sonia Soares

8 de nov. de 2012

Presente Contínuo

Agora o passado não está em mim.
Uma névoa cobre o caminho andado.
Andar para trás seria perder-me do tempo em que estou:
Estátua de areia que o vento desmanchará.

Não olho para trás,
Não olho para o chão,
Mas, para frente, também não vou olhar:

Vejo ao redor,
Para, a cada passo, ver novamente.
Em cada linha, o grafite se espalha
E forma novas palavras.
A folha em branco,
Traz e traduz
O verde novo.

Está feito!

Lenca Marques

Domingo

Domingo:
              Dia de pão feito em casa,
              Dia de biscoito chamado xixi seco.
              Farelos suaves na língua se desmoronando.

Domingo:
             Dia de aniversário.
             Sempre a menina, com codinome mulata, rompia o solário com laço vermelho
                                     no vestido rosa.
             Descia com queixo erguido.
            Todo o corpo apoiado na segurança do andar de mãos dadas com o tio querido.
     
Domingo:
            Dia de frango assado, guaraná, sal de fruta na língua, bolão e confraternização.

Domingo:
           Sessões de filmes,
          Antecipação da semana toda.



Duda Cambará

27 de jul. de 2012

O mundo se desfaz

O mundo se desfaz
na gota de sangue;
na lágrima quente;
no suor; no cheiro;
nas garras de uma onda;

 
num verso partido;
na música perdida;
numa pedra que rola;
na estrela caída.
 
O mundo se desfaz
na busca de um olhar;
na boca fria;
nas mãos que se perdem,
no tempo.
 
O mundo se desfaz
no gosto; no cheiro;
na distância;
na carência.

O apelo, o grito, o sussurro,
a procura, o contrário, o igual
—tudo se desfaz.
E como voltar atrás?
 
Márcia Mansur

3 de nov. de 2011

VOCÊ

Quando o sol se põe
E o seu rastro suave
Inunda o céu,
Brilha a alma da ave.
Eu me lembro de ontem,
Eu me lembro de você.

Como é leve a lembrança!...
Como é doce a sua ausência!...

Tocar seu rosto com meus lábios
Sentir meus dedos em seus cabelos
É a luz tênue que se abriga no céu...
É a maciez do sol que se põe.

Vai luz brilhante e forte,
Ilumina outros mundos!
Guardo em mim a suavidade.
Pelo azul que se apaga,
Rastros róseos perpassam
As brancas nuvens do adeus,
Ao roçar da imensidão.

O beijo
É a verdade da sua alma
Que toca minha pele,
É a cintilação do seu fogo.
Alegre liberdade
Clareia meus dias,
Horas marcadas pelos duros ponteiros.

Liberta-se na imensa nuvem
O amor bravo dos raios!
O meu chão é elétrico,
Elétrico passageiro no espaço.

Como é leve a sua lembrança...
Como é doce a sua ausência...


Olivia Feder

22 de mai. de 2011

ANIVERSÁRIO

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos
Eu tinha grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
Eram dias certos, dias solares
Celebrados pela luz do bem.


A estrada se desenhava suave e florida
Enquanto eu beijava teus lábios de tinta
E o pincel seguia vaidoso tingindo a folha...


Festejava
o sol,
o carmim dos lábios,
a brancura da face
da boneca japonesa sobre a ladeira.


Ah! No tempo em que festejavam meus anos...


No tempo em que eu festejava
meus dias,
meus amores,
meus sonhos...


O mundo desabrochava em azul
E eu encontrava a felicidade nos braços teus...

Já não mais festejam o dia dos meus anos.

Eu os festejo buscando na lembrança a alegria que se perdeu,
incendiado por sois,
acalentado pela lua,
celebrado por estrelas.


Hoje revivo as lembranças.
Fixei cores, sabores, perfumes...
Sinto comigo paixões, alegrias, tristezas.
Vivo nos meus dias tempos da aurora da minha vida.




Construção coletiva

VIVER A VIDA

Ah! Meu bom Deus!!!
Viver a vida...

Ainda que preso
Ou solto às cegas
Ainda que cego
Ou aparvalhado na luz

Ainda que mudo
Ou cantando aos berros
Ainda que berrando
Ou engolindo as dores

Ah! Meu bom Deus!!!
Viver a vida...
Ainda que depois da morte.


Sonia Soares

O SONHO

A gata se acomoda
Sob a lua redonda e nua
Mergulha seu sono
Nos campos noturnos...

Sonha que ela, agora,
É a sua dona
Escuta uma valsa
Ela e ele dançam
Os movimentos em círculo...
São únicos.
Umbigos do mundo

A felina suspira
Plena de satisfação
Sob a luz do luar
Desenhado na janela...


Duda Cambará

20 de mai. de 2011

Noite Estrelada

Seriam as estrelas...

Vagalumes bêbados
em lentas danças tribais?

Ou pedras preciosas reluzindo
no trajeto entre o big bang
e o recôndito último do infinito?

Quem sabe flores brancas
de miolos amarelos?

Ou ovos estrelados sobre o feijão?

Quem sabe?

Ele não sabe nada sobre estrelas,
a não ser que as há de alcançar.

Ou almoçar.



Sonia Soares